O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a disseminação de uma nova forma do vírus H5N1 da gripe aviária para o gado leiteiro. O caso envolve o genótipo D1.1, atualmente em circulação entre aves silvestres e associado a infecções humanas, incluindo o caso fatal de um residente da Louisiana que teve contato com aves doentes criadas no quintal.
Até agora, todas as detecções de H5N1 em rebanhos leiteiros envolviam o genótipo B3.13, que se acredita ser resultado de uma única disseminação de aves silvestres no final de 2023 ou início de 2024. Esse genótipo tem sido associado a infecções leves em trabalhadores de fazendas leiteiras, assim como em alguns trabalhadores de abate de aves, com conjuntivite como principal sintoma.
“O genótipo D1.1 foi o predominante nas rotas migratórias da América do Norte neste outono e inverno e já foi identificado em aves silvestres, mamíferos e em disseminações para aves domésticas”, afirmou o APHIS em seu comunicado.
Detecção ocorreu por meio de testes no leite em Nevada
A nova disseminação foi detectada em uma investigação após a confirmação de H5N1 em amostras de leite de vacas leiteiras no estado de Nevada. Alguns dias atrás, o APHIS relatou quatro novas detecções de H5N1 em rebanhos leiteiros do estado, os primeiros casos desde dezembro.
As autoridades de Nevada informaram que estavam removendo grandes populações de estorninhos-europeus (ave), considerados pragas, para conter a disseminação do vírus. Essa espécie não nativa migra pelo estado durante o inverno, competindo com as aves locais e representando um risco na propagação de doenças para o gado.
O APHIS destacou que a nova detecção não altera sua estratégia de erradicação e serve como um testemunho da eficácia da sua Estratégia Nacional de Testagem do Leite, que, até meados de janeiro, já havia sido adotada em 36 estados, cobrindo o leite de dois terços dos rebanhos leiteiros do país.
O problema do H5N1 veio para ficar
O epidemiologista Michael Osterholm, PhD, MPH, da Universidade de Minnesota, afirmou: “Não deveríamos nos surpreender com uma nova cepa sendo disseminada para vacas, dada a atividade significativa do vírus entre aves aquáticas em grande parte dos Estados Unidos”.
Ele acrescentou que o vírus não vai desaparecer, ao contrário do que muitos acreditavam, supondo que o genótipo B3.13 se extinguiria sozinho. Osterholm é diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas (CIDRAP), que publica o CIDRAP News.
O USDA informou que está trabalhando com as autoridades agrícolas de Nevada na investigação em andamento para compreender melhor essa nova detecção e limitar a propagação do vírus. Além disso, a agência publicará um relatório técnico sobre os achados e disponibilizará a sequência genética no banco de dados GenBank na próxima semana.
Publicado por: MilkPoint
Texto e foto: Também MilkPoint