O baixo desempenho reprodutivo nas fazendas pode ter várias causas, entre as mais frequentes destacam-se as deficiências de conforto, o estresse térmico, o manejo durante o período de transição e problemas metabólicos, falhas na detecção de cio, manejo e qualidade do sêmen, protocolos de sincronização e saúde do úbere.
O momento em que ocorrem os casos de mastite em relação à inseminação é um dos fatores críticos que influenciam o desempenho reprodutivo. Vacas nas quais o caso de mastite clínica é diagnosticado após a IA apresentam menor taxa de concepção no primeiro serviço do que as vacas sadias e aquelas com diagnóstico anterior à IA. Além do impacto negativo da mastite clínica, vacas com mastite subclínica (alta CCS) também apresentam aumento dos dias para o primeiro serviço, menor taxa de concepção e aumento do risco de perda da prenhez. Estudos indicam que os maiores impactos negativos sobre a reprodução ocorrem quando a mastite clínica ou subclínica se manifesta após a IA, sugerindo que a reação inflamatória do úbere pode reduzir a sobrevivência embrionária na fase inicial da gestação.
Considerando que os custos causados pela mastite em relação ao desempenho reprodutivo são indiretos e de difícil estimativa, foi conduzido um estudo em uma fazenda leiteira de alta produção (média de lactação de 14.000 kg/vaca, 780 vacas em lactação). Foram incluídas no estudo 473 vacas, divididas em dois grupos: 146 vacas com mastite clínica e 327 vacas clinicamente saudáveis. Os dados de incidência de mastite clínica, CCS mensal, produção de leite e reprodução foram coletados usando informações de um software de gerenciamento. A análise econômica do valor presente líquido foi realizada utilizando parâmetros como peso corporal médio, taxa de reposição e custos de alimentação, preço do leite e custo do programa de reprodução.
Tabela 1. Resultados de desempenho reprodutivo entre vacas sadias e com mastite clínica.
Fonte: adaptado de Bors, et al 2024.
A taxa de concepção na primeira IA foi de 41,7% para vacas com mastite clínica e de 58,1% para vacas saudáveis. Quando outros efeitos foram incluídos na análise estatística, as vacas saudáveis apresentaram 1,9 vezes mais chance de concepção na primeira IA do que as vacas com mastite clínica. Além disso, vacas com mastite clínica também apresentaram maior número de dias até o primeiro serviço e maior número de dias em aberto. O impacto da mastite sobre o desempenho reprodutivo está mais associado a menores chances de concepção do que ao número total de serviços.
Os resultados do impacto da mastite sobre o desempenho reprodutivo foram incluídos na avaliação do valor presente líquido, que é uma métrica de avaliação econômico-financeira de investimentos, na qual valores positivos são economicamente viáveis, enquanto valores negativos indicam inviabilidade do investimento. A simulação do valor presente líquido das vacas com mastite clínica indicou um valor de US$ -153,4/vaca/ano em relação às vacas saudáveis, permitindo estimar os custos associados ao impacto negativo da mastite clínica sobre o desempenho reprodutivo. As principais perdas que reduziram o valor presente líquido foram os custos de reposição, custos do programa reprodutivo, custos de tratamentos da mastite e perdas de produção de leite.
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em
Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e
Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
Publicação: Portal MilkPoint